Triagem diagnóstica: cidadania e inclusão a famílias com crianças autistas
A I Triagem de Diagnóstica do Autismo, realizada neste sábado, 30, pela Justiça Federal em Alagoas (JFAL), foi um misto de alegria, gratidão, inclusão e cidadania. Durante todo o dia, 60 pais e mães de crianças levaram filhos com suspeita de Transtorno do Espectro Autista (TEA) para atendimento psicológico, orientação jurídica, emissão de Carteira de Identidade, entre outros serviços. A iniciativa, da Comissão de Acessibilidade e da Seção de Saúde da JFAL, contou com apoio de várias entidades parceiras para atendimento às famílias.
O presidente da Comissão, juiz federal Felini Wanderley, destacou o caráter inclusivo da ação. “Essa é uma ação de imensa importância. Muitas famílias recebem, aqui, o diagnóstico pela primeira vez. É um movimento que representa cidadania e dignidade para essas crianças e para os pais, que podem buscar os direitos que a legislação reserva para casos como esses”, afirma o magistrado.
A presidente da Comissão de Estudos e Atuação Previdenciária da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL), Irenny Karla, explica que a entidade atendeu às famílias, com orientação jurídica. “Mostramos a esse público as garantias contidas na legislação previdenciária, quais os documentos necessários para requerer os benefícios, sendo um dos primeiros a concessão do Benefício de Prestação Continuada, o BPC-Loas”, explicou.
Quem também ressaltou a grandeza da ação realizada pela JFAL, com o apoio de parcerias diversas, foi o diretor do Instituto de Identificação, Anízio Amorim. O órgão montou um posto para atender às famílias e garantir a emissão de Carteiras de Identidade. “Com o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista, a criança recebe o documento com o símbolo indicativo. O modelo que temos aqui no Estado permite incluir informações adicionais”, informou.
No posto instalado na JFAL para emissão de Identidade, um dos atendidos foi Nycollas Kauã, de 6 anos. Os pais, Genilson dos Santos e Janice Cristina, disseram que buscavam atendimento para a criança desde que ela tinha pouco mais de 2 anos de idade. “Nós estamos muito felizes, porque a dificuldade para atendimento é enorme e, com essa ação, em apenas uma manhã, tivemos diversos atendimentos”, relatou Genilson, enquanto os servidores do Instituto de Identificação colhiam as informações para emissão da Identidade.
Quem demonstrou agradecimento pelo atendimento foi Amanda Kelly. Ela saiu do município de Joaquim Gomes com a filha Aminadaby Rocha, de 9 anos, para participar da triagem na JFAL. Há dois anos ela buscava o atendimento para a criança. Além do atendimento psicológico, ela percorreu os postos dos diversos órgãos, incluindo o da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), para conseguir um cartão de estacionamento de veículo e um para acesso ao transporte gratuito na capital, quando vier para tratamento da filha.
Quem chamou a atenção das crianças e dos adultos pela docilidade e carinho foi a presença da cadelinha Fibe, da raça Golden. O animal é da clínica Integração e com a sua cãoterapia, contribui para acalmar as crianças que apresentam alguma agitação.
Participaram da ação deste sábado na Justiça Federal em Alagoas, a Defensoria Pública da União (DPU), Caixa de Assistência dos Advogados, OAB/AL, Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), Secretaria de Saúde do Estado (Sesau), SMTT, Clínica Integração, Instituto de Identificação de Alagoas, Centro Universitário Cesmac, a Direito Autista, Centro Universitário Tiradentes (Unit) e Sindicato dos Advogados.